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Alimentação em Portugal

Escrito em 25 de janeiro de 2022

Alimentação em Portugal

Hoje trazemos-te um estudo bastante interessante sobre a transição alimentar sustentável em Portugal, realizado por investigadores da Universidade de Aveiro, que avalia a pegada ecológica da alimentação em Portugal, bem como a importância e a necessidade de políticas públicas que promovam uma alimentação mais sustentável. Este estudo foi publicado recentemente na revista científica internacional Science of the Total Environment.

Achas que alimentação dos portugueses é a mais saudável? E sustentável, será que é? Vamos às conclusões apresentadas no estudo!

Portugal produz cerca de 1 milhão de toneladas de resíduos alimentares por ano! O que corresponde a 17% de todos os alimentos produzidos em Portugal para consumo humano.

Para sustentar o atual estilo de vida e padrão de consumo, cada residente no país exige 3,69 hectares globais, apesar da biocapacidade em Portugal ser de 1,68 hectares globais per capita. Como a pegada ecológica nacional, por habitante, é superior à biocapacidade do país ou até do planeta, significa que se todas as pessoas do Mundo consumissem como nós, portugueses, seriam necessários 2,3 planetas iguais ao nosso.

A alimentação pesa 30% na pegada ecológica dos portugueses, mais do que os transportes (20%) ou a habitação (10%, que inclui a água, eletricidade,...). Esta percentagem faz de Portugal o país mediterrânico com a maior pegada alimentar per capita! O estudo ainda concluí que 73% dos alimentos são importados e que só a carne e o peixe ocupam metade do peso da pegada alimentar nacional.

Portugal é o 3º maior consumidor mundial de peixe e marisco, ocupando o 1º lugal a nível da União Europeia, com o consumo de 61,7kg por pessoa. No entanto, 60% da biocapacidade para produzir esta quantidade vem de outros países, nomeadamente de Espanha. A tradição alimentar também tem peso neste ponto, uma vez que há a preferência por peixes de alto nível trofico, como o bacalhau do Atlântico e o atum, que aumentam o impacto do elevado consumo de peixe.

Necessita da biocapacidade de outros países para satisfazer a procura dos portugueses. O estudo também indica que estamos dependentes da biocapacidade de outros países para termos acesso a alguns alimentos, como a Espanha, França e Ucrânia, mas também o Uruguai, África Ocidental e Senegal, EUA, Argentina, Canadá, Brasil e China.

O que importamos?

* 86,1% de pão e cereais;

* 78,4% de açúcar, mel, chocolate e doces;

* 72,4% de óleos e gorduras;

* 66,5% de legumes e 66,4% de frutas;

* 45,7% de carne.

A alimentação atual dos portugueses é insustentável! O consumo alimentar tende a ser à base de proteína animal em oposição às frutas, vegetais e cereais, o que tem alto impacto no planeta.

Concluiu-se ainda que mudar hábitos alimentares e evitar o desperdício alimentar é urgente. Mas também são igualmente necessárias políticas públicas que promovam a sustentabilidade em toda a cadeia dos alimentos, desde a produção, ao processamento, distribuição, ao consumo.

 

Conceitos:

Hectares globais (gha): Um hectare global significa um hectar de produtividade média mundial para terras e águas produtivas num ano. Permite comparar diferentes padrões de consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta.

Biocapacidade: É a capacidade que uma área tem de produzior recursos renováveis e de absorver e/ou filtrar resíduos produzidos, considerando as práticas de gestão e extração existentes no momento. Também serve como indicador da capacidade de regeneração do planeta.

Fontes:

https://florestas.pt/saiba-mais/o-que-e-a-biocapacidade/

https://www.ua.pt/pt/noticias/9/64704

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048969720348361?via%3Dihub


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